A postagem que sugere exame antidoping para os candidatos a cargos eletivos e de “confiança” no serviço público despertou algumas ponderações por parte de leitores. Como a totalidade foi feita diretamente por email, vou resguardar nomes, mas expor a idéia central que me faz voltar a tratar da questão, que considero importantes para o debate eleitoral. Não há, da parte deste blogueiro, intenção de criminalizar o debate, mas de centrar a discussão em uma política anti-droga eficiente, capaz de reverter uma conjuntura de adversidade social, onde muitos jovens encontram-se inseridos provocando a desestruturação de muitas famílias.
Neste contexto, é importante admitir que existem diferenças entre os vários tipos de drogas: álcool, tabaco, canabis sativa (maconha), ópio, cocaína, LSD, e as sintéticas (ecstasy e outras produzidas em laboratório). Até aqui entendo que as várias abordagens envolvem questões muito complexas para que os interessados com e nos problemas não travem o debate de forma simplista.
É com esta preocupação que transcrevo o teor de uma contestação à postagem do blog intitulada “Exame antidoping para candidatos ao Governo”:
“A diferença está numa razão simples,..., a droga altera o desempenho físico, dando vantagem atlética a que a usa. Não é o caso para os que concorrem a cargos públicos, ninguém vai correr uma maratona para ter que governar bem.
Sobre as droga, talvez a melhor resposta seja a liberação e o controle, como acontece com o álcool e o tabaco. Morre-se dos dois vícios, mas elimina-se o principal fator de violência, que é o tráfico.Abraço”
Antes de qualquer ponderação quero deixar claro que respeito a pessoa que postou-me este comentário por sua capacidade intelectual e pelo seu caráter. Trata-se de uma pessoa respeitosa e respeitada, apesar de, em muitos casos, não possuirmos os mesmos pontos de vista. Esse é um dos casos em que estamos em lados diametralmente opostos. A resposta ao comentário seguiu da seguinte forma:
“De fato, algumas substâncias podem favorecer alguns atletas e isso se configura uma falta a conduta ética. Mas, dizer que só altera a parte física é ingenuidade. Altera, dependendo da droga ou substância que use, processos cerebrais, a exemplo do álcool e do fumo (liberados legalmente). Mas,..., não dá prá colocar um adepto ou viciado em drogas em cargos de governador ou Presidente da República. Além dos limites éticos comprometidos pelo exemplo negativo, poderá ocorrer de facilitar a venda (tráfico) por parte de alguns em detrimento de outros, inclusive utilizando-se dos aparatos repressivos: é assim que as máfias funcionam. Além do mais,..., imagine a liberação do crack, do ópio, etc. São pesos diferentes que deveriam ser pensados quando comparamos álcool, fumo (cigarro), maconha, cocaína, crack, etc.”
Admiro quem expõem seus pontos de vista com claridade e coragem. Creio que, sinceramente, esta é a forma de contribuir para o debate sobre questões sérias, como é o caso da legalização das drogas. Mas não concordo. Creio haver perigos e diferenças abissais entre essa ou aquela substância. Não se pode comparar o perigo que um jovem ou adulto está submetido quando prova um cigarro de maconha ou uma pedra de crack, uma dose de cachaça ou uísque ou uma carreira de cocaína. Creio que estas diferenças existem para além de considerá-las todas perigosas e que incidem diferentemente entre os indivíduos.
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| Coutinho defendia a legalização das drogas quando parlamentar. E agora? Será que mudou? |
Mas, volto a afirmar que o debate é oportuno. Principalmente quando temos um candidato ao Governo do Estado que, em período recente se disse favorável a legalização das drogas. No seu depoimento deixa claro que concorda com uma ação de Estado que possa, inclusive, ver revertido em tributos/impostos parte do dinheiro da comercialização. Ricardo Coutinho (escute áudio clicando no vídeo abaixo), por exemplo, acredita que a legalização é a melhor forma de combater o narcotráfico. O debate está posto.
Quem é favorável a Legalização das drogas?





