segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Recife não serve de modelo à Paraíba

As eleições 2010 trouxeram um debate baseado em comparações entre os Estados do Nordeste. Boa parte do foco dos candidatos confrontou a economia e a posição que ocupa a Paraíba no ranking regional. De fato, as desigualdades econômicas que registram os vários estados da federação são flagrantes. Mas, apesar da desigualdade é importante ressaltar que, embora mais ricos que alguns, os estados da Bahia e Pernambuco apresentam uma grau elevado de pobres e miseráveis também superior a muitos que não possuem uma economia tão pujante.
Ao contrário do que entoa a canção “Miséria”, dos Titãs, que minha geração cantou à exaustão, ela não incide da mesma forma “em qualquer canto”. Não se pode comparar uma família que vive com menos de 100 reais em uma área rural com as que vivem nas periferias das cidades. O fundo de quintal, e a agricultura de subsistência, muitas das vezes propicia o apoio necessário ao combate à fome. Nos centros urbanos, esta possibilidade é infinitamente reduzida e, mesmo quando conseguem algum tipo de trabalho ocasional, os valores não são compatíveis com a necessidade familiar.
Talvez isso explique a violência registrada na Capital pernambucana e que a faz conhecida mundialmente. Recife figura internacionalmente entre as cidades mais violentas da América Latina. Concentra o maior percentual de morte entre crianças e adolescentes de todo o Continente e cuja proporção supera a cifra de 158 para cada 100 mil habitantes. É fundamental deixar claro que esta estatística não é tão recente e data de 2007. No entanto, não há evidencias de que o grau de violência de anos atrás tenha arrefecido. Muito ao contrário, ela passou a ser exportada para os estados vizinhos.
Riquezas, de fato e ainda como diz a canção do Titãs, são diferentes. Mas também a miséria, que faz brotar e difundir a violência. Nem mesmo a Ciudad Juárez, no México, dominada pelo narcotráfico, é tão violenta para crianças e adolescentes quanto a cidade do Recife. Como segundo Estado mais rico da região Nordeste, Pernambuco não conseguiu reverter essa difícil realidade, nem mesmo com a presença de um Governador mais “novo” e “moderno”. O que nos leva a constatar que não são as frases de efeito que fazem transformar a realidade cruel que marca a miséria em algumas cidades brasileiras, mas políticas públicas eficazes.
A Paraíba (R$ 4.165 de PIB per capita), apesar de configurar como um dos Estados mais pobres da Federação, dista do Ceará apenas cinco reais (R$ 4.170). Do vizinho Estado de Pernambuco a diferença é muito maior (R$ 5.730 de PIB per capita), segundo dados de 2004. O importante, quando comparamos, é entender que, para além dos sinais de riqueza de um ou outro Estado da Federação, nosso vizinho governado pelo socialista Eduardo Campos não pode nem deve ser referência para aferirmos qualidade de vida.
Apesar do visível aumento da violência na Paraíba, estamos muito longe de ser taxados como  o Estado que abriga uma das cidades mais violentas da América Latina. Este título ainda pertence a Recife e ao vizinho Pernambuco. Torço para que mude, mas os paraibanos não possuem nenhuma inveja destes dados estatísticos. Muito menos quer tê-los como referência.
fac smile do jornal EL PAÍS: Recife aparece como cidade mais violenta do continente





sábado, 23 de outubro de 2010

O Volúvel

Reflexões sobre  “adaptações”
camaleônicas de um candidato.


1) Acreditava e verbalizava que o padre e deputado Luiz Couto era “uma cabra safado”, “sem caráter”... Hoje...
2) Chamava de oligarcas os integrantes da família Cunha Lima. Depois de pedir a benção ao patriarca Ronaldo (no mesmo prédio em que criticou o candidato a prefeito de João Pessoa, Avenzoar Arruda por fazê-lo) passou a considerar o “príncipe” Cássio Cunha Lima de político moderno.
3) Na eleição de 2006 reunia seu staff no colégio Pio X para pedir voto no candidato Zé Maranhão. Para ele, naquele momento, o candidato do PMDB era o nome para combater o coronelismo dos Cunha Lima. Hoje...
4) Resultado do Segundo turno das eleições de 2006 apontaram Cássio Cunha Lima como vitorioso, por uma pequena margem de votos. Maranhão, Ricardo Coutinho, deputados eleitos e uma multidão se acotovelam na pequena sede do PMDB, na avenida Beira Rio. Nela, os discursos de todos apontavam para a fraude eleitoral do PSDB e decidiram pela entrada na Justiça. Hoje, Coutinho faz comício contra a Lei do Ficha Limpa e deixa claro: mais que a Lei, valem os votos.
5) Denunciou Cícero Lucena ao Ministério Público quando era parlamentar. Recentemente, já como candidato buscou aproximação com o senador e armou circo para que fotografassem um possível aperto de mão, que seria a senha para dizer que a aliança estava selada, no sertão paraibano. Depois de reiteradas negativas do senador tucano  volta a chamá-lo de integrante da Confraria.
6) Transitava como ateu, nos tempos de parlamentar. Agora, em véspera de eleições se diz cristão (para agradar católicos e evangélicos). Às portas do segundo turno tornou-se um freqüentador, quase um praticante de cultos evangélicos e missas católicas. Até diz “Amém” e “se Deus quiser” no guia eleitoral.
7) Defendia a legalização das drogas em entrevista (áudio não permite que negue). Agora, neste momento, diz ser contrário à legalização.
8) Dizia-se contra a especulação imobiliária e defensor de uma João Pessoa mais verde. Com o seu então secretário de Planejamento na Prefeitura de João Pessoa (hoje prefeito, Luciano Agra) transformou, na surdina, Zona Especial de Preservação em loteamento.
9) Taxou Campina Grande de “cidadezinha do interior” para tentar agredir o prefeito Veneziano Vital. Agora, creio haver esquecido o detalhe e já pode considerar Campina não mais cidadezinha: agora é Grande.

Onde estará, com quem andará, o que pensará e falará amanhã? 





sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Eleições: TESTE ANTIDOPING JÁ








Volto ao tema da legalização das drogas para reforçar a proposta que para muitos pode parecer “careta” e antiquada: o Exame Antidoping para candidatos ao cargo de Governador ainda para este segundo turno. O exame, na minha concepção, deverá ser monitorado por especialistas na questão e acompanhado pelos meios de comunicação e dos coordenadores de campanha de cada um dos candidatos. Antes de sua efetivação os candidatos deverão expor todos os receituários usados nos últimos 12 meses, no intuito de evitar que, em caso de positivo, apresentem desculpas como já feitas por atletas flagrados.
Dos vários tipos de testes antidoping, um que seja atestado como eficaz deve ser escolhido. De preferência aquele que detecte a presença do uso de substâncias proibidas no período de um ano. No Brasil, como descreve o médico traumatologista Bernardino Santi, Coordenador de Doping da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em entrevista a Dráuzio Varela[1], existem várias técnicas simples e eficientes: “Uma delas é a utilização da fita... de avaliação qualitativa de cinco drogas - anfetaminas, maconha, cocaína, ópio e ecstasy - que colocada num frasco com urina vai indicar numa janelinha de leitura o uso ou não dessas substâncias.”
POR QUE DO TESTE ? Como disse em postagem anterior, creio que esta será uma forma que deixará o cidadão paraibano com mais segurança para posicionar-se sobre o debate a respeito da prevenção, enfrentamento (repressão) ao tráfico de drogas e os cuidados com os dependentes (químicos e orgânicos). Será, sobretudo, o momento para os milhares de pais e mães de família avaliarem os candidatos para além da retórica eleitoral, que em muitos dos casos não são concretizadas durante a gestão.
O exame antidoping promoverá a transparência sobre os objetivos de cada um dos candidatos com bases sólidas e evitará que as torcidas dos concorrentes ao Governo deixem de tentar convencer o eleitor com o discurso simplista de que a postura antidrogas de um é mais efetiva que a do oponente. Deixará de ser apenas uma defesa apaixonada de um “time de futebol” e passará a ser encarado como parâmetro para as posturas como Chefe do Executivo.
EXIGÊNCIA DA SOCIEDADE – Independente da escolha ou opção que tenham feito os cidadãos para este segundo turno, o exame antidoping deve ser uma exigência da sociedade paraibana. Ele ajustará a distância entre discurso e prática e afastará a possibilidade de termos um ocupante do Palácio da Redenção que seja dependente (químico ou orgânico). E por que afastar essa possibilidade? Porque se isso não ocorre a eficácia da prevenção e do combate ao tráfico de drogas estará comprometida. Como pode um dependente agir e punir traficantes se ele é um usuário? São estas as questões que devem nortear a exigência do teste antidoping para além das paixões por este ou aquele candidato.
O teste antidoping serve para os dois, não somente para este momento, mas que seja estabelecido para as futuras eleições (inclusive como Lei). Independente de quem for flagrado, o repúdio do cidadão paraibano deve ser efetivado nas urnas do dia 31 de outubro. Não interessa, pelo menos para o blogueiro, se este ou aquele ou se ambos forem flagrados. Interessa que os candidatos se disponham a fazê-lo. Que desde já declarem aos cidadãos paraibanos, de preferência em Guia Eleitoral, que estão dispostos a passar pelo teste antidoping. Quem topa?


[1] A entrevista sobre o exame antidoping pode ser encontrada no link: http://www.drauziovarella.com.br/ExibirConteudo/778/doping/pagina6/teste-qualitativo






quarta-feira, 20 de outubro de 2010

IMPEACHMENT À VISTA? Prefeito Luciano Agra enfrentará turbulências caso sejam confirmadas as denúncias de irregularidades

As denúncias de possível superfaturamento nos valores de pagamentos de imóveis (Zonas Especiais de Preservação), realizados pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP) poderão levar ao impeachment  do prefeito Luciano Agra e tornar difícil a vida política do  ex-prefeito e candidato Ricardo Coutinho. Esta possibilidade reside no fato de que pelo menos uma autorização para loteamento de totalidade de uma área de 63.397,00 m² incrustada em uma Zona Especial de Preservação dos Grandes Verdes (ZEP2), situada no bairro do José Américo, cujo Processo de numeração 2008/09108 ocorreu na primeira gestão socialista.
Com a desapropriação da Fazenda Cuiá, também em área de preservação e com valores pagos acima da média de mercado, um grupo de vereadores e o Ministério Público devem investigar todas as autorizações que foram processadas desde a primeira gestão Coutinho. Os casos despertam dúvidas e dão pistas de que podem existir irregularidades, sobretudo com interesse diretamente ligado à especulação imobiliária na cidade.
Caso o rastreamento dos quase 11 milhões de reais confirme as suspeitas de irregularidades, quer pela supervalorização do metro quadrado da Fazenda Cuiá, quer pela destinação de parte do dinheiro para campanha eleitoral, como deixou implícito o jornalista Rubens Nóbrega, o vereador e presidente da Câmara Municipal, Durval Ferreira (PL) assumir a Prefeitura Municipal de João Pessoa. Também a gestão da Casa de Napoleão Laureano poderá ter novo presidente.
Para entender o caso. O colunista Rubens Nóbrega denuncia pela primeira vez, em 27 de fevereiro de 2010, a generosa permissão para loteamento em uma Zona Especial de Preservação. No seu texto, Nóbrega afirma ter enviado solicitação de informação sobre o processo 2008/09108 da PMJP (que nunca foi feito) e descreve alguns detalhes do processo e relata a descaracterização da área em questão:
Simplesmente não existe – Sobre a ‘vegetação ainda existente’, posso dar testemunho pessoal porque estive lá esta semana para ver com meus próprios olhos. Não tem. Não tem porque passaram a máquina e o rodo no terreno que foi de uma granja incrustada dentro de uma reserva de mata atlântica, que ainda resiste entre Mangabeira e José Américo e é cortada ao meio pelo Riacho Laranjeiras.



É essa reserva que o secretário indica ser Área de Preservação Permanente e, como tal, não precisa que ninguém se proponha a preservá-la. Afinal, a lei obriga que todos a preservem. Tanto que se alguém atentar contra aquele patrimônio natural pode pegar de três meses a um ano de cadeia ou multa de até cem salários mínimos, conforme prevê o mesmo Código Florestal citado pelo Doutor Luciano em seu parecer.

O que dizem os laudos técnicos – No laudo a arquiteta Georgia Raquel Martins, após receber o Processo em 08/04/2009, reconhece:
“Informo que o imóvel está localizado entre a rua Ten. José Rodrigues da Silva e o Riacho Laranjeiras, no Bairro José Américo, cadastrado na PMJP com localização cartográfica 41.057. Este  do Plano Diretor de imóvel está situado numa macrozona não definida (mapa 01 do Plano Diretor de João Pessoa), inserido em uma Zona Especial de Preservação dos Grandes Verdes 2 (ZEP2 –Mapa de Uso do Solo da cidade de João Pessoa).
O Projeto em análise trata de uma solicitação de aprovação de pré-análise de um Loteamento passível de aprovação conforme parecer do, então, Secretário de Planejamento José Luciano Agra de Oliveira, em 17 de dezembro de 2008 (ver parecer em anexo).” Grifo do blogueiro
USOS
ÁREAS
%
Lotes
34.906,39 m²
55,06 %
Áreas verdes
7.077,47 m²
11,16 %
Equipamentos Comunitários
3.750,00 m²
5,92 %
Área de Preservação Permanente
24.618,00 m²
?????
Vias/calçadas/canteiros
17.663,14 m²
27,85 %
Área total a Lotear
63.397,00 m²
100 %
Geórgia Raquel Martins
Arquiteta mat. 51.073-4   - SAL/SEPLAN
08/04/2009

O PARECER DE LUCIANO AGRA – Assinado em 17 de dezembro de 2008, o Parecer do então secretário de Planejamento, Luciano Agra (citado pela arquiteta Geórgia Raquel Martins) tem o seguinte teor:
“A área em questão está localizada entre a rua Tem. José Rodrigues da Silva e o Riacho Laranjeiras, no Bairro José Américo, cadastrado na PMJP com localização cartográfica 41.057. O requerente solicita aprovação em pré-análise de um Loteamento numa gleba situada numa Macrozona não definida (Mapa 1 do Plano Diretor de João Pessoa), inserido em uma Zona Especial de Preservação dos Grandes Verdes 2 (ZEP2 –Mapa de Uso do Solo da cidade de João Pessoa).
Após visita in loco na referida área (fotos em anexo) ficou constatado a descaracterização de parte da área de preservação, e analisando as várias propostas de projeto apresentadas e a fim de garantir a preservação da integridade área e amenizar a degradação existente, sou favorável à aprovação do pleito, tendo em vista que o Empreendimento se propõe a preservar a vegetação ainda existente, bem como, a Área de Preservação Permanente ao longo da margem do Riacho, conforme determina a Lei Federal nº 4.771/1965 (código florestal), art. 2º e o art. 94 da Lei Municipal nº 2.102, DE 31 de Dezembro de 1975 – Código de Urbanismo.”
João Pessoa, 17 de dezembro de 2008
José Luciano Agra de Oliveira
Secretário de Planejamento do Município de João Pessoa

Questionamentos necessários –
1)       Como, após reconhecer que os proprietários haviam permitido a degradação da área, conceder o loteamento em uma Zona Especial de Preservação?
2)       A ação mais adequada não seria convocar os proprietários e, através de um Termo de Ajustamento de Conduta, fazer com que a área degradada fosse recomposta com vegetação nativa?
3)       A concessão para loteamento não seria um prêmio aos proprietários que não conservam as Zonas Especiais de Preservação?
4)       Aberta a exceção, como poderá o Prefeito e técnicos da cidade de João Pessoa exigir comportamento diferenciado para outras áreas?
5)       Se exigir comportamento diferenciado não estaria cometendo prevaricação?
6)       O que dizem a Procuradoria Jurídica Municipal e as Procuradorias estadual e federal sobre o caso?
7)       Existem outros casos que ainda virão à tona?









terça-feira, 19 de outubro de 2010

Legalização da maconha e programas de Governo nas eleições 2010

A postagem que sugere exame antidoping para os candidatos a cargos eletivos e de “confiança” no serviço público despertou algumas ponderações por parte de leitores. Como a totalidade foi feita diretamente por email, vou resguardar nomes, mas expor a idéia central que me faz voltar a tratar da questão, que considero importantes para o debate eleitoral. Não há, da parte deste blogueiro, intenção de criminalizar o debate, mas de centrar a discussão em uma política anti-droga eficiente, capaz de reverter uma conjuntura de adversidade social, onde muitos jovens encontram-se inseridos  provocando a desestruturação de muitas famílias.
Neste contexto, é importante admitir que existem diferenças entre os vários tipos de drogas: álcool, tabaco, canabis sativa (maconha), ópio, cocaína, LSD, e as sintéticas (ecstasy e outras produzidas em laboratório). Até aqui entendo que as várias abordagens envolvem questões muito complexas para que os interessados com e nos problemas não travem o debate de forma simplista.
É com esta preocupação que transcrevo o teor de uma contestação à postagem do blog intitulada “Exame antidoping para candidatos ao Governo”:
“A diferença está numa razão simples,..., a droga altera o desempenho físico, dando vantagem atlética a que a usa. Não é o caso para os que concorrem a cargos públicos, ninguém vai correr uma maratona para ter que governar bem.
Sobre as droga, talvez a melhor resposta seja a liberação e o controle, como acontece com o álcool e o tabaco. Morre-se dos dois vícios, mas elimina-se o principal fator de violência, que é o tráfico.Abraço”
Antes de qualquer ponderação quero deixar claro que respeito a pessoa que postou-me este comentário por sua capacidade intelectual e pelo seu caráter. Trata-se de uma pessoa respeitosa e respeitada, apesar de, em muitos casos, não possuirmos os mesmos pontos de vista. Esse é um dos casos em que estamos em lados diametralmente opostos. A resposta ao comentário seguiu da seguinte forma:
“De fato, algumas substâncias podem favorecer alguns atletas e isso se configura uma falta a conduta ética. Mas, dizer que só altera a parte física é ingenuidade. Altera, dependendo da droga ou substância que use, processos cerebrais, a exemplo do álcool e do fumo (liberados legalmente). Mas,..., não dá prá colocar um adepto ou viciado em drogas em cargos de governador ou Presidente da República. Além dos limites éticos comprometidos pelo exemplo negativo, poderá ocorrer de facilitar a venda (tráfico) por parte de alguns em detrimento de outros, inclusive utilizando-se dos aparatos repressivos: é assim que as máfias funcionam. Além do mais,..., imagine a liberação do crack, do ópio, etc. São pesos diferentes que deveriam ser pensados quando comparamos álcool, fumo (cigarro), maconha, cocaína, crack, etc.” 
Admiro quem expõem seus pontos de vista com claridade e coragem. Creio que, sinceramente, esta é a forma de contribuir para o debate sobre questões sérias, como é o caso da legalização das drogas. Mas não concordo. Creio haver perigos e diferenças abissais entre essa ou aquela substância. Não se pode comparar o perigo que um jovem ou adulto está submetido quando prova um cigarro de maconha ou uma pedra de crack, uma dose de cachaça ou uísque ou uma carreira de cocaína. Creio que estas diferenças existem para além de considerá-las todas perigosas e que incidem diferentemente entre os indivíduos.
Coutinho defendia a legalização das drogas
quando parlamentar. E agora? Será que mudou?
Outra questão que merece atenção diz respeito ao jovem que se crê auto-suficiente e imune aos perigos do consumo do álcool, da maconha, da cocaína, do crack, etc. É, por si só uma decisão que merece ponderação e assertivas sobre os perigos e implicações que envolvem a prova ou o uso freqüente. Mas, seguramente, como país, homens e mulheres, não queremos sequer imaginar ver nossos filhos acorrentados ao vício de qualquer que seja a droga. Quem garante que a liberalização poderá reduzir o consumo? Nem mesmo em países que adotam flexibilidade para o uso destas substâncias houve queda no consumo, como é o caso da Holanda.
Mas, volto a afirmar que o debate é oportuno. Principalmente quando temos um candidato ao Governo do Estado que, em período recente se disse favorável a legalização das drogas. No seu depoimento deixa claro que concorda com uma ação de Estado que possa, inclusive, ver revertido em tributos/impostos parte do dinheiro da comercialização. Ricardo Coutinho (escute áudio clicando no vídeo abaixo), por exemplo, acredita que a legalização é a melhor forma de combater o narcotráfico. O debate está posto.
Quem é favorável a Legalização das drogas?  





segunda-feira, 18 de outubro de 2010

REVITALIZAÇÃO!!! Os portos de Cabedelo, de Águas Profundas e as promessas vazias

Revitalização!!! Este substantivo tem sido empregado com relativa recorrência por candidatos em fase de campanhas eleitorais. Há cerca de 6 anos ouvi de determinado candidato a prefeito que revitalizaria o Centro Histórico de João Pessoa. Eleito, até ensaiou alguns eventos artísticos (incluindo a transferência da Festa das Neves para a área do Varadouro), numa clara maquiagem ao significado do termo revitalizar, voltar a dar vida. Os shows minguaram, a Festa das Neves voltou para o lugar de onde nunca devia ter saído e o que era promessa de vida voltou a seu abandono tumular.
Passaram-se quatro anos. O momento era de reeleição. Novamente uma grande promessa de revitalização. Desta vez um nome no mínimo bizarro era empregado para dizer o que o já prefeito iria fazer pelo Centro Histórico de João Pessoa: “Moradouro”. Traduzia-se em dotar sete casarões antigos em 35 apartamentos para famílias sem teto ou moradoras de áreas de risco.  Uma estratégia de marketing quando a Capital completava 423 anos que nunca foi além da ordem de serviço, e tinha previsão de ser assinada no dia 6 de setembro. (ver notícia divulgada no site da PMJP sobre ordem de serviço com a Caixa Econômica Federal em 31/08/2008 clicando no link  http://www.joaopessoa.pb.gov.br/noticias/?n=9189.)
Passaram-se os anos. O prefeito reeleito nada fez e o que deveria ser Moradouro passou a ser visto como matadouro (as edificações continuam em processo de abandono e desmoronamento). As razões para mudança da denominação Moradouro para Matadouro decorre da construção da Praça de Concreto do Ponto de Cem Reis (que também integra o Centro Histórico e foi descaracterizado por tamanha aberração arquitetônica). Até os minguados shows foram reconfigurados para a frente do Hotel Palace enterrando de vez com a velha, surrada e descumprida promessa de revitalização do Centro Histórico.
Novamente, agora como candidato ao Governo do Estado, Ricardo Coutinho promete revitalizar o Porto de Cabedelo. A técnica e apelo usados são os mesmos. Na verdade esconde uma estratégia de agrado, de submissão e de comprometimento de uma das excelentes possibilidades de desenvolvimento econômico do Estado, sobretudo da região metropolitana de João Pessoa. Milhares de empregos e um montão de possibilidade de negócios poderão empacar com mais esta “revitalização” no modelo Coutinho.
A construção do Porto de Águas profundas não inviabiliza o Porto de Cabedelo, que passará a atuar como uma extensão. Aqui em Vigo, há 30 minutos da cidade de Pontevedra (onde moro temporariamente até fevereiro) existe um Porto dos mais importantes da Espanha. Ele está compartimentado em porto pesqueiro, estaleiro naval (construção de navios), de circulação de mercadorias e esportivo. Cabedelo deverá, como ocorre aqui em Vigo, integrar o Porto de Águas Profundas, como parte extensiva de todo o complexo.
O que Ricardo Coutinho tenta, com seu discurso de revitalização, é esconder um projeto de submissão pautado por uma possibilidade de ver, num futuro próximo, a concretização de um projeto de poder do PSB. Este projeto está pautado pela possibilidade de ter o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, como candidato à Presidência da República. Mais. Também mantém, como ocorreu com os coronéis que dominavam a política paraibana nas décadas de 20 e 30, o favorecimento ao estado de Pernambuco. Para tanto, manter o escoamento e entrada de mercadorias sem concorrência é fundamental.
O abandono à propostas e compromisso parecem virar regra em Coutinho. A aliança feita com tucanos e democratas também sinaliza para um quase abandono a candidata petista à Presidência da República. Dilma já não tem o mesmo assédio por parte dos coordenadores da campanha de Ricardo Coutinho. Aliás, é só analisar a filiação dos principais integrantes da coordenação política e de campanha. Sem tirar nem por, pertencem a partidos que integram a composição que apóia Serra à corrida presidencial.





POLÍTICA PENDULAR

O crescimento do presidenciável tucano José Serra na Paraíba não deve ser percebido como novidade. Este esperado aumento das intenções de voto no candidato paulista integra as previsões dos assumidos defensores da candidatura do PSDB à Presidência da República no estado: os candidatos ao senado pelo PSDB, Cássio Cunha Lima (registro ainda indeferido) e DEM, Efraim Morais (derrotado). Junto a eles, um candidato ao Governo do Estado refém e dependente dos votos tucanos.
Uma campanha como a que se registra em 2010 tem caráter nacional e a Paraíba não é uma ilha isolada dos fatores políticos eleitorais externos. De um lado os defensores da candidatura Dilma, de outro os defensores dos ricaços paulistas representados por José Serra.
Ricardo Coutinho não mais mencionará com a mesma ênfase que é eleitor de Dilma para não afugentar os eleitores (principalmente os de Campina Grande) e como forma de vingança por Lula ter aparecido no programe eleitoral do candidato Zé Maranhão. João Pessoa, mais progressista, ainda manterá os votos em Dilma pelo reconhecimento do excelente trabalho realizado pelo governo Lula. Campina, ao contrário, sem opções e candidato nascido e criado na terra, teve que seguir a opção do tucano Cássio Cunha Lima, quer para a Presidência da República, quer para o Executivo Estadual.
E, o crescimento de Serra já gera desconfortos: o prenúncio da vaia no deputado petista Luiz Couto revela que os apupos poderão ser ainda maiores. O leitor não estranhe se a coordenação da campanha do candidato do PSB resolver esconder Luiz Couto, a exemplo do que está fazendo com Efraim Morais. As aparições do padre deputado só será franqueada em cidades com características progressistas, como é o caso de João Pessoa. Desta forma, a política pendular de  começa a ser efetivada.



domingo, 17 de outubro de 2010

Sarampo revela que Saúde de João Pessoa está doente





A volta do sarampo à cidade João Pessoa é um indicativo de que a saúde da Capital vai muito mal. Doença transmitida por vírus, se espalha com rapidez entre crianças menores de 10 anos. Sua incidência se dá pela ausência ou ineficiência das campanhas de vacinação. No momento, João Pessoa se faz referência como exportadora do vírus para as demais cidades da Paraíba e para o vizinho Estado de Pernambuco.
De acordo com informações do Wikipédia, sarampo é um dos cinco exantemas da infância clássicos, com a varicela, rubéola, eritema infeccioso e roséola. É altamente infeccioso e transmitido por secreções respiratórias como espirros e tosse. Após o início de uso da vacina tornou-se raro nos países que a utilizam de forma eficaz, como América do Norte e Europa.”
O sarampo foi responsável por milhares de mortes entre indígenas quando do período da colonização brasileira. Na atualidade nos países onde a cobertura vacinal é ineficaz o sarampo ainda afeta 40 milhões de pessoas e é responsável por um a dois milhões de mortes por ano. As epidemias tendem a ocorrer a cada dois ou três anos, necessitando do nascimento de novos bebês susceptíveis para se propagar.
Este é possivelmente o caso de João Pessoa. Uma cobertura vacinal mal feita e campanhas de conscientização da população inexistente. Somam-se a estes tópicos um conjunto de técnicos dirigentes mais preocupados com os resultados eleitoras que com a saúde coletiva dos habitantes da Capital paraibana e o resultado não poderia ser diferente.
Número de Casos Confirmados de Sarampo.
Brasil e Grandes Regiões, 1991-1999.
Regiões
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1999
Brasil
42.532
7.934
2.396
1.263
967
791
53.664
2.777
908
Norte
4.665
480
239
266
141
95
231
241
91
Nordeste
11.364
2.758
268
317
191
170
4.547
607
369
Sudeste
10.893
2.635
997
352
346
318
45.503
618
359
Sul
11.140
1.295
559
215
252
169
1.770
1.046
39
Centro-Oeste
4.470
766
233
113
37
39
1.613
265
50
Fonte: Funasa/Cenepi. Boletim Epidemiológico, Ano III Edição Especial, 1999 (dados de 1991-1998).
Dados de 1999 fornecidos para o IDB-2000. 99.

Vírus do Sarampo não circula no Brasil desde o ano de 2000

Em virtude das recentes notícias sobre os casos de sarampo no país, o Ministério da Saúde volta a afirmar que a doença continua eliminada do território nacional. Ou seja, não há circulação do vírus internamente.

• O Brasil interrompeu a circulação autóctone do sarampo em 2000. Todos os casos que têm sido registrados nesses últimos dez anos são importados, como ocorre em outros países das Américas que já eliminaram a doença, como Estados Unidos e Canadá.

• Isso vale também para os recentes casos investigados, cujas evidências apontam que são pacientes infectados fora do país ou contaminados por estrangeiros que vieram ao Brasil.